A dúvida app ou web resolve-se quase sempre da mesma forma: com uma web. Dizemo-lo nós, que desenvolvemos aplicações, porque a maioria das ideias que nos chegam como «quero uma app» resolve-se melhor — e bastante mais barato — com uma página bem feita. Mas há casos em que a app não é um capricho, e sim a única opção. Vamos separar uns dos outros.
A pergunta que decide
Não é «o que fica melhor?» nem «o que têm os meus concorrentes?». É esta: a pessoa vai usar isto muitas vezes, ou uma só vez?
Uma app vive no ecrã inicial de um telemóvel, e esse lugar é conquistado por algo que se abre com frequência. Se o seu cliente vai entrar duas vezes por ano, não vai instalar nada: vai procurar no Google e entrar pelo navegador. Instalar é uma barreira enorme, e só se ultrapassa quando compensa.
Quando a web é a resposta certa
- Quer que o encontrem. As apps não aparecem no Google. Se o seu problema é visibilidade, uma app não o resolve: piora-o, porque coloca o conteúdo onde ninguém o procura.
- Mostra um catálogo ou vende online. Uma loja funciona perfeitamente no navegador do telemóvel, e quem compra duas vezes por ano nunca instalará nada.
- Capta contactos ou orçamentos. Um formulário numa web bem feita converte na mesma e custa uma fração.
- Precisa de mudar coisas com frequência. Na web publica e pronto. Numa app, cada alteração passa pela revisão de duas empresas.
- O orçamento é apertado. Com o que custa a app mais barata, tem uma web excelente e orçamento de sobra para trazer visitas.
Quando a app compensa mesmo
- Uso diário ou semanal. Uma equipa que regista ponto, distribui ou inspeciona todos os dias. A fricção de abrir o navegador e escrever o endereço, multiplicada por 200 dias, é real.
- É preciso funcionar sem cobertura. Armazéns, obras, estrada, caves. Uma app guarda o trabalho e sincroniza-o quando recupera sinal; uma web, não.
- Avisos push que têm de ser vistos. Uma nova encomenda, uma ocorrência, um turno. O e-mail é ignorado; a notificação do telemóvel, não tanto.
- Usa o telemóvel de verdade. Câmara para ler códigos, GPS em segundo plano, leitor NFC, biometria.
- O produto É a app. Se o que vende é a aplicação — por subscrição, compras ou publicidade —, não há debate.
Comparação rápida
| Custo inicial | Web: bastante menor. App: a partir de cerca de 5.000 € e a subir conforme os ecrãs e o servidor. |
| Custo de manutenção | Web: moderado e estável. App: obrigatório, porque Android e Apple aumentam os requisitos todos os anos. |
| Visibilidade no Google | Web: é o seu terreno. App: nula; é preciso trazer os downloads por outro lado. |
| Publicar alterações | Web: no momento. App: com revisão da loja pelo meio. |
| Sem ligação | Web: muito limitado. App: é uma das suas razões de ser. |
| Avisos push | Web: possível com limitações, sobretudo no iPhone. App: nativo e fiável. |
| Barreira de entrada | Web: um clique. App: descarregar, instalar e, por vezes, registar-se. |
A terceira opção que quase ninguém propõe
Existe um ponto intermédio: uma web que se pode «instalar» no telemóvel e funciona parcialmente sem ligação, o que se conhece como aplicação web progressiva. Sai muito mais barata do que uma app nativa, atualiza-se sem passar por nenhuma loja e continua a aparecer no Google.
Quase ninguém a vende porque fatura menos, por isso convém dizê-lo: os seus limites estão no acesso ao hardware e nas notificações no iPhone, que ficam para trás. Para muitos casos internos é mais do que suficiente.
Como decidir em cinco minutos
Responda a estas quatro perguntas e terá a resposta:
- A mesma pessoa vai usá-lo mais do que uma vez por semana? Se não, web.
- Precisa de funcionar sem cobertura ou usar câmara, GPS ou NFC? Se sim, app.
- Quer que o encontrem através de pesquisa? Web, sempre.
- O produto que vende é a própria aplicação? App, sem debate.
Se as respostas forem mistas, o habitual é começar pela web e acrescentar a app quando o uso o justificar. O contrário quase nunca corre bem.
Perguntas frequentes
Posso converter a minha web em app?
Meter a web numa janela e publicá-la como app é precisamente o motivo pelo qual a Apple rejeita centenas de aplicações. Outra coisa é reaproveitar o servidor e os dados da web, o que se faz e barateia muito o projeto.
E se a minha concorrência tiver app?
Veja se as pessoas a usam antes de a copiar. As lojas mostram as avaliações e o número aproximado de downloads: muitas apps de empresa foram publicadas, ninguém as instalou e continuam lá sem serem atualizadas.
Preciso das duas coisas?
É o normal quando a app faz sentido: a web para que o encontrem e explique quem é, e a app para o uso repetido de quem já é cliente. Cada uma faz o seu trabalho.
Se depois disto continuar a pensar que o seu caso é uma app, em apps à medida tem como trabalhamos, o que inclui e quanto custa. E se acha que é uma web, veja os nossos serviços: dir-lhe-emos o mesmo com toda a clareza na primeira resposta.
Guias relacionados
- Quanto custa fazer uma app, para dar um número à decisão.
- Porque rejeitam a sua app nas lojas, se já decidiu e quer evitar surpresas.



